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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

No Limite

Diário do Festival / Rio, 2011.


O mais fraco dos filmes que assisti até agora nesse festival. "No Limite" (Kray/The Edge) é uma produção russa, de 2010. Dirigido por Aleksei Uchitel, o filme se localiza no pós Segunda Guerra Mundial, numa Rússia que passa por sérias dificuldades e sob o comando de Stálin. É para esse cenário, em Kray, interior da Sibéria (brrrrrrrrr), que o condecorado herói de guerra Ignat é enviado pelo governo para coordenar o trabalho local. Mas sua paixão por locomotivas e as fortes dores de cabeça que sente por causa de um ferimento conseguido na guerra, vão movimentar a estabilidade de Kray.

E, se estamos falando da Sibéria, isso só pode ser um campo destinado aos traidores da grande Rússia (!)
Nesse lugarejo, os trabalhadores se esforçam para alimentar de carvão a locomotiva que atravessa a floresta boreal. Nesse meio tempo, eles bebem (muito!), criam laços e vivem numa sociedade independente, pois embora sejam presos políticos, a própria geografia se encarrega de evitar fugas, deixando-os "livres" para fazer o que quiserem em boa parte do tempo.
Por ser uma cópia com qualidade CAM, a imagem não ajudava muito. Mas, independente disso, o filme não agradou muito. As atuações são boas, especialmente do elenco feminino, contudo roteiro e direção são fracos. O que salvou o filme do tédio total foram os trens. Antigos e bonitos.


Os cartazes do filme são bem mais legais que o prórpio filme.
Propaganda enganosa!

"Tabloid"

Diário do Festival / Rio, 2011

Ganhador do Oscar de melhor documentário, por "A Névoa da Guerra" (The Fog of War), de 2003 e listado entre os 40 maiores diretores do mundo pelo jornal The Guardian, Errol Morris é responsável por parte do sucesso de "Tabloid". A outra parte cabe à Joyce McKinney.

McKinney, miss Wyoming, protagonizou, em meados dos anos 70, uma das histórias de amor mais insólita e engraçada (para o meu tipo de humor!) da qual já tive notícia. Em resumo: ela se apaixona por um jovem mórmon e, acreditando que por força da religião e de pessoas próximas ele tivesse sido forçado a deixá-la, passa a buscar um meio de ficarem novamente juntos. Daí pra frente, os fatos são tão surpreendentes e originais, que isso só pode ser a vida real!
Joyce rapta Kirk Anderson, o tal mórmon sem um pingo de graça, na Inglaterra, para onde ele tinha ido como missionário e o mantém preso, com "diversão, comida e sexo" - em suas palavras.
Em qualquer universo haveria filas para ser sequestrado por essa mulher!
Ai, como sou sexy...


Mas o esperto do Kirk disse que foi sequestrado e ESTUPRADO! Sim, ele foi obrigado a fazer sexo com a dona mais de sete vezes! Coitadinho...


"Tudo por culpa dos mórmons"

Ela foi presa, liberada, deixou a Inglaterra se fingindo surda e muda e virou febre na mídia, com todos querendo ter um pouco de sua história. E, acreditem, há muito mais ao longo do documentário! E o assunto não se esgota no sequestro de Kirk.
Contudo, por mais que essa história seja inusitada e ela o é, o filme não seria tão bom se Joyce não fosse...ela. A ex-miss é tão sedutora que com apenas cinco minutos de filme ela já tinha me ganhado e poderia falar qualquer bobagem que eu ia rir e concordar com a cabeça. Mas, além de cativante, ela é inteligentíssima e engraçada. É impossível não simpatizar, se não com sua causa, pelo menos com sua pessoa. Para quem conseguir ver além do esteriótipo de solteirona excêntrica, vai enxergar em Joyce uma mulher memorável, doce e divertida, infelizmente, ainda presa à história bizarra do rapto e estupro do mórmom.
A edição de Errol Morris é inteligente e ágil. Ao longo do filme ele não te permite ficar por muito tempo na zona de conforto. E tanto Joyce, quanto sua “aventura” é mostrada de vários ângulos, dando-nos perpectivas distintas de uma mesma ocorrência. Em nenhum momento há espaço para tédio e você convive com vários sentimentos conforme os depoimentos se sucedem.
E é impressionante como o diretor consegue ao mesmo tempo ser respeitoso com a sua “protagonista” e imparcial ao apresentar os vários envolvidos e interpretações para o que ficou conhecido como “Mormon sex in chains case”. No fim de tudo, não importa qual é a verdadeira história, se é que há uma. Nas palavras do próprio Morris, o documentário “é doentio, triste e engraçado, mas, no fim, é bem maior que isso. É uma meditação sobre como somos influenciados pela mídia, e muito mais intensamente, por nós mesmos”. E, segundo Joyce McKinney, ela estava apenas fazendo o que qualquer mulher apaixonada faria: indo em busca de seu amor. E não é que temos uma história de amor? Pelo menos para um dos lados...


É verdade que depois que os mormons morrem eles viram deuses e
voam para o seu próprio planeta?

quarta-feira, 13 de abril de 2011

VIPs, o filme.

E se você percebesse que tem um talento natural para assimilar trejeitos de outras pessoas? E se com isso você pudesse dar asas, literalmente, aos seus sonhos desde criança? E se, para isso, você violasse várias leis brasileiras? Ah... agora o negócio complica...

"Desde pequeno, Marcelo Nascimento da Rocha tem muita dificuldade de viver com sua identidade. Seu maior prazer é imitar as pessoas e se passar pelos outros. Alimentando o sonho de aprender a voar e tornar-se piloto como o pai, Marcelo foge da casa da mãe e começa a maior aventura de sua vida, cada vez se passando por uma pessoa diferente. Até dar o maior golpe de sua vida: fazer-se passar pelo empresário Henrique Constantino, filho do dono da companhia aérea Gol, em uma grande festa no Recife." Essa é a sinopse do filme VIPs, de acordo com o próprio blog da produção.

Mas o filme é muito mais que isso. Para começo de conversa, é um alívio ver uma história original, com o frescor de uma produção ágil, leve e despretensiosa; com uma narrativa que te conquista à medida em que te traz a ilusão confrontrando a realidade - alguns pontos para a primeira, outros para a segunda.
E sem crise moral nenhuma, posso dizer que o tempo todo eu torci pelo Marcelo! Talvez se tivesse lido o livro da Mariana Caltabiano, que serviu de base para o roteiro, pudesse me aprofundar na história de Marcelo Nascimento da Rocha e questionar algumas de suas atitudes ou até mesmo o seu provável problema psiquiátrico. Mas como não li, me rendi completamente à atuação de Wagner Moura e me deliciei com cada golpe, cada loucura, cada fuga sua.


Aliás, o que é o Wagner Moura? Nossa, como dá gosto vê-lo se divertindo em cena... Porque é sempre essa a impressão que tenho: de alguém que está adorando cada frame do que faz. Seja de Capitão Nascimento, seja nas parcerias com Lázaro Ramos, seja como Marcelo em VIPs, ele não se repete e sempre traz algo de novo a cada personagem. Nesse caso, ele passa de jovem com dificuldades de encarar a realidade, à piloto do tráfico em "missões kamikaze" e à filho do dono da GOL; alternando perfeitamente os momentos de excitação, reflexão, culpa e insanidade.
VIPs é um filme que suscita muitas discussões... psiquiátricas, da cultura de adoração de celebridades, do sistema legislativo e judiciário nacional, dos limites entre a responsabilidade da educação familiar e o livre arbítrio, da busca desenfreada pela fama e da dificuldade de um jovem se posicionar no meio de tudo isso. Mas, essencialmente, VIPs é um filme que te diverte ao fazer refletir sobre tudo isso. Mérito da direção de Toniko Melo e dos roteiristas Bráulio Mantovani e Thiago Dottori.
Altamente recomendável, esse não é um filme perfeito, mas salvou o meu dia do tédio total. Certamente o assistirei de novo.
Deixo vocês com o trailer de VIPs e a idéia de uma campanha para juntar Selton Mello e Wagner Moura, um bom jovem diretor e um roteiro muito doido. Aí sim, aumentam as probalidades DO filme perfeito.


E só de pensar que o Aumary Jr. foi enrolado categoricamente
já me dá vontade de rir!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O que Lola quer, Lola consegue

Você viu Moulin Rouge? Esqueça!
Gostou de Cisne Negro? Brincadeira de criança...
Agora a conversa é séria.
Você está diante de Lola Montès e ela só faz o que quer.


 De tempos em tempos somos confrontados com verdadeiras forças da natureza. Pessoas que não seguem regras, divertem-se, na verdade, em ignorá-las; que fazem o que lhe vem a cabeça; que dizem o que sentem e pensam; que quebram tabus; e, consequentemente, semeiam amor e ódio; admiração e repulsa por onde passam.
Há uma semana tomei conhecimento dessa mulher, nascida Eliza Rosanna Gilbert, em alguma data entre 23 de junho de 1818 e 17 de fevereiro de 1821. Mais conhecida pelo seu nome artístico, Lola Montès, era irlandesa, mas se apresentava como dançarina exótica espanhola. Conseguiu encantar homens influentes na aristocracia e no meio artístico europeu. E protagonizou escândalos notórios em sua época. Obviamente, ela é mais lembrada por isso e não por sua dança.
 Eu, que particularmente, sempre admirei pessoas como Lola, talvez por não lidar bem com normas e convenções impostas por sistemas e autoridades caducas ou, simplesmente, porque é divertido. Gostaria que ela fosse lembrada por sua personalidade apaixonante, completamente impulsiva e hipnótica. 

Amelia Mary Earhart, Marie Curie, Leila Diniz, Elis Regina, Lola Montès... artes, ciência, política, costumes... Será que alguma delas teve consciência do seu papel para ajudar a quebrar padrões? Elas foram mulheres, como qualquer outra mulher, com seus problemas e inseguranças. Entretanto, definitivamente, não eram mulheres comuns! Foram capazes de atrair os olhares de todos, vencer preconceitos, jogar na cara de quem quisesse (e quem não quisesse também!) suas opiniões e seu modo de vida. Despertaram paixões, no sentido original da palavra. 

Nesse ponto, não sei se estou mais encantada com o filme ou com a própria Lola. Provavelmente os dois...

Sobre a película de Max Ophüls, posso afirmar que é um deleite sensorial. As cores, os sons, a fotografia quase palpável, a câmera que te faz praticamete um voyer de Lola em sua trajetória e a restauração inacreditável que foi feita no filme, são enlouquecedores.
A história passa rapidamente pela infância de Lola, concentrando-se no período que vai de seu casamento até a abdicação de Ludwig I da Bavária, o mais poderoso de seus amantes, que a tornou Condessa de Landsfeld. Mas o que me ganhou, logo de cara, foi a opção narrativa do diretor. Ele escolhe mostrar a vida de Lola Montès por meio de um show circense. Não como os de hoje em dia, mas mais parecido com os teatros de variedades do século XIX. Com o que tinham de mais bonito e mais bizarro. Nada diferente da própria protagonista.
Assim, alternam-se o circo, com flashes da vida da dançarina. Muita coisa real, um pouco de ficção... E, o mais interessante, os momentos de maior angústia e sofrimento são sentidos no circo, no ambiente "ficcional", quando Lola aparece exposta, ao sabor da platéia, doente, persistente, frágil, resignada, adorável...
Considero acertadíssima também, a opção de não chafurdar na decadência da mulher por trás da artista, nem em explorar seus últimos dias; deixando-nos a imagem de quem, num mundo masculino, conseguiu sobreviver por si, muito tempo sem marido, sendo dançarina exótica e escolhendo seus amantes. Como bem dito no filme "ela fazia tudo aquilo que qualquer mulher gostaria de fazer e não tinha coragem". E foi isso o que Ophüls conseguiu gravar para sempre de forma magistral.

Por fim, o que me deixou mais estarrecida foi ler, na introdução do filme, que este foi um estrondoso desastre de bilheteria e que, depois de tanto tempo, foi redescoberto e devolvido aos amantes das artes:


"Lançado em Paris em 23 de dezembro de 1955, 'Lola Montès', de Max Ophüls,  causou um escândalo sem precedente. Diante do fracasso comercial do filme, os produtores cortaram cenas, traduziram para o francês parte dos diálogos em alemão e remixaram o som. No final de 1956, contra a vontade de Ophüls, o filme sofreu novos cortes, sendo remontado cronologicamente.
Em 1968, o produtor Pierre Braunberger  comprou os direitos do filme e lançou uma versão próxima da original. Em 2008, graças à tecnologia digital, a Cinemateca Francesa pôde lançar  uma versão totalmente restaurada, fiel às intenções de Ophüls, com as cores, o som e o formato idealizados originalmente.''


É de escorrer uma lágrima ler isso. Imaginar que poderiam ter dilacerado, remontado e desrespeitado o diretor dessa forma. Mas os deuses do cinema deram uma resposta à altura, com essa versão belíssima da Cinemateca Francesa.
Para ver o filme, clique aqui.

domingo, 13 de março de 2011

Os fabulosos anos 80

Como eu nasci em 1979, não aproveitei devidamente os anos 80, mas foi ótimo ser criança nessa época, mesmo com a kombi branca e a loira do banheiro.
É claro que nada é perfeito e cada geração tem do que reclamar, mas hoje quero escrever sobre os filmes dessa década. Não, não vai ser nada sobre filmes trash, embora desse um ótimo post, repleto de pérolas do "terrir".
Ontem, ao assistir Trânsito Muito Louco, comecei a me lembrar de vários filmes nesse espírito meio inconsequente, meio inocente, mas sempre engraçado, que foram feitos ao longo dos anos 80.
Pois é... uma época em que você esperava anos para um blockbuster passar na televisão, quando não havia internet para fazer download de filmes que ainda estão no cinema, quando a dublagem ainda era bem feita e quando o Tom Hanks ainda era legal.

Sou péssima para fazer listas, pois sofro de dúvidas crônicas em relação ao que entra e o que fica de fora em qualquer top alguma coisa. Talvez um "345 melhores" resolvesse o problema, mas duvido que alguém sobrevivesse até o final. Então, vou tentar listar as minhas 10 comédias adolescentes favoritas dos anos 80. E destaco o adolescente, porque se fossem só comédias, não conseguiria reduzir a 10 filmes nunca. E que São John Hughes me ajude!


10. Trânsito Muito Louco (Moving Violations, 1985) - Pense em um grupo bem eclético: o metido a engraçadinho, a cientista da NASA, um mecânico, a versão feminina do Mr. Magoo, o maníaco por filmes de terror, a hipocondríaca, e por aí vai. O que eles tem em comum? Infrigiram leis de trânsito, tiveram suas carteiras suspensas e veículos apreendidos, foram obrigados a assistir aulas de direção e fazer um novo teste. Paralelamente, uma juíza sadomasoquista e um policial corrupto pretendem ganhar dinheiro com a venda dos carros desses péssimos motoristas.
O filme é uma correria só, com grandes piadas, mas o momento memorável é a conversa entre o mecânico e a hipocondríaca e suas consequências. Duplo sentido é isso aí, o resto é brincadeira!


Aí está Corey Haim
9. Sem Licença Para Dirigir (License do Drive, 1988) - Nesse filme, um adolescente reprovado no exame de direção pega o carro do avô para ir à um encontro. E ele, tolinho, se pergunta "o que pode dar errado?". Resposta: Tudo! E eu sofrendo com o carro...
Todas as sequências com ou dentro do carro são memoráveis e o elenco do filme é incrível: uma Heather Graham garotinha, o sempre ótimo Corey Feldman, e os pais do personagem principal, Carol Kane e Richard Masur, também merecem destaque.
Como bem lembrado, lá nos comentários, acrescento a menção ao Corey Haim, protagonista do filme, amigo do Corey Feldman, com quem fez outros filmes e figurinha fácil em vários filmes legais dessa época. Infelizmente, Haim morreu ano passado.


8. Clube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985) - Cinco adolescentes que representam os clichês das escolas americanas, pelo menos nos filmes, são obrigados a passar o sábado no colégio para fazer uma redação como punição aos delitos cometidos. E é nessa interação entre tipos diferentes que se encontra o ponto forte do filme, gerando momentos de cumplicidade e risadas garantidas. No elenco, o irmão mais sensato do Charlie Sheen, Emilio Estevez e Molly "A garota de rosa shocking" Ringwald; além de uma participação do próprio diretor, John Hughes.


7. Namorada de Aluguel (Can't buy me love, 1987) - E não é que passados vinte e tantos anos o Patrick Dempsey continua uma fofura?! Mas nesse filme ele dá umas pisadas na bola antes de voltar à sua fofura natural. Tudo porque, para se tornar popular na escola, faz um acordo com uma das meninas mais bonitas e populares: o dinheiro que ela precisava para comprar a roupa da mãe que havia destruído em troca de fingir ser sua namorada. É claro que ele vira um babaca, que ela se apaixona por ele, que dá tudo errado para depois dar certo. Enfim, o filme é um barato!
Destaque para o moleque que faz o irmão do Patrick Dempsey. Ele é muito, muito engraçado! Além disso, é desse filme a clássica dança do tamanduá africano!!!




Lambda, Lambda, Lambda!
6. A Vingança dos Nerds (Revenge of the Nerds, 1984) - A essa altura já deu para perceber que os melhores filmes eram aqueles que juntavam as pessoas mais variadas e esquisitas, não?! Esse aqui vai pelo mesmo caminho, só que com a premissa de que os sempre rejeitados nerds conseguiriam, pelo menos uma vez, vingança depois de tanta implicância. Em tempos pré bullying, esse filme era totalmente policamente correto!
Tirando a risada irritante do nerd chefe, o filme é bem legal. Com destaque para a sensacional cena do "duelo" entre o Melecão e o Sr. Escarro; e para a presença de  Donald Gibb (meu ator favorito em outro clássico: O Grande Dragão Branco), sabiamente aqui chamado de Ogro.


5. A Última Festa de Solteiro (Bachelor Party, 1984) - Por onde começar? O filme é uma sucessão de acontecimentos insanos que vão crescendo até o fim! Tom Hanks está hilário. Verdade seja dita, todos estão ótimos neste filme. E parabéns ao roteirista por ter conseguido reunir uma seleção tão vasta de personagens e situações constrangedoras. Se eu tivesse escrito algo assim teria muito orgulho de mim mesma.
Dessa forma, é até complicado destacar alguma cena, pois desde o começo da tal festa de despedida de solteiro até que aconteça o casamento, tudo é antológico. Mas a dançarina que chega com um jumento é demais, o pobre jumento doidaço de anfetamina e todas as drogas que se possa imaginar, o amigo maníaco depressivo, as mulheres vestidas de prostitutas para perseguirem seus maridos, os empresários japoneses, o mala do ex- namorado se ferrando, o cinema com filme 3D... Acho que vou lá ver o filme de novo!!!

4. Curso de Verão (Summer School, 1987) - Mais um filme com escola e tipos variados que são unidos por um problema. Nesse caso, eles são meio burrinhos ou problemáticos (ou as duas coisas) e, por não conseguirem créditos para passar de ano, precisam frequentar a escola nas férias.
Talvez esse nem seja um grande filme, mas os personagens são muito carismáticos e os atores defenderam bem os seus papéis. É um filme alegre, com clima de amizade, onde todos conseguem resolver seus problemas se ajudando; com uma Kirstie Alley gata e o Mark Harmon lindo, por quem me apaixonei por uma semana...
Mas as melhores partes ficam por conta da dupla Francis Chainsaw Gremp e Dave Frazier, fãs do Massacre da Serra Elétrica, que reproduzem uma cena de filme de terror na escola de um jeito que eu sempre sonhei fazer. Além é claro, do clássico "Eu não sei nada! Eu não sei nada!"




3. Os Goonies (The Goonies, 1985) - Aí está um filme que marcou a minha infância. Sei falas completas e ainda as cito em conversas. É um filme sobre o valor da amizade e como as crianças geralmente estão mais certas que os adultos. Não consigo encontrar um defeito nesse filme!
O grupo de amigos é adorável. O Bolão me mata de rir; o Josh Brolin lindinho quando nem sonharia viver um detestável George Bush; o Bocão do Corey Feldman (olha ele de novo aí!) traduzindo tudo errado para a empregada mexicana; as invenções do Data...
E os vilões?! Eu adoro os Fratelli!!! Inclusive aquela mãe bruaca que depois, sabiamente, o Dani de Vitto queria jogar do trem. E o Sloth!!! Como eu queria um Babe Ruth depois de ver esse filme... E também caçar um tesouro, desvendar pistas, navegar um navio pirata, levar um saquinho de diamantes e me encontrar com o Willy Caolho. Grande filme...

2. Quero ser Grande (Big, 1988) - Aí está novamente Tom Hanks, com cabelos legais e sendo bacana como só foi até meados dos anos 90. Nesse filme, um menino de 12 anos deseja ser adulto para uma máquina (acho que Zorah) em um parque de diversões. Desejo feito, desejo concedido.
Filmes de trocas existem aos montes, mas a diferença é o Tom Hanks. Ele interpreta uma criança de 12 anos num corpo de 30 e é simplesmente perfeito ao fazê-lo. Ele tem a inocência, os trejeitos, o olhar deslumbrado, a espontaneidade... tudo de uma criança. Esse é também um filme muito singelo, não é para dar gargalhadas. Ele consegue te fazer pensar sobre a perda da inocência, o amor, e o que realmente importa na vida. E que é muito bom ser criança! (Desconfio que essas qualidades se devam ao fato de ser uma mulher a dirigir o filme.)
Seria impossível falar de Quero ser Grande e não deixar aqui a cena do piano na loja de brinquedos. Quem não se emocionou com isso já nasceu adulto (e chato!).




1. Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller's Day Off, 1986) - Ou O Elogio da Boa Vida. Esse sim é um filme com estilo! Me diz se não é o sonho de todo adolescente ser querido e amado, ter uma casa linda, vários equipamentos eletrônicos, pais legais, matar aula, pegar uma Ferrari e fazer o que der na telha?! Aliás, esse é meu sonho de vida até hoje!!!
Ferris é um dos personagens mais legais da história do cinema. Não que eu não veja o quanto ele é egoísta, mas ele sabe como aproveitar um dia. Gosto tanto que tenho até uma camisa SAVE FERRIS, para me lembrar de curtir um pouco mais.
O filme é uma obra prima, todos os personagens são memoráveis... o diretor Rooney e sua secretária, o Cameron eternamente deprimido, a irmã rabugenta do Ferris, o Charlie Sheen já na delegacia porque fazia merda desde sempre, o pai do Ferris lerdo que só. A trilha sonora é maravilhosa. A direção perfeita. O roteiro não deixa furo. Um dos melhores filmes de todos os tempos, daqueles que você vê e fica feliz na hora.


sábado, 12 de março de 2011

O que eu aprendi com City of the Living Dead

Lucio Fulci, italiano nascido em Roma, em 1927, morreu em 1996; mas nos deixou um legado de aproximadamente 50 filmes. Além de ser o parente italiano mais próximo do Zé do Caixão, como podemos conferir na foto ao lado.
Fulci, que chegou a cursar Medicina, mas para nossa sorte desistiu no meio do caminho, é reconhecido como um dos mestres do Terror e ajudou a pupularizar o Giallo, ainda que ultrapassasse esse rótulo e conseguisse desenvolver um estilo único, reconhecido por todos os seus fãs. Nunca se privou de tratar de temas controversos em seus filmes, abusando de cenas violentas e efeitos realísticos. E, como bom italiano que viveu sob massiva influência religiosa, usa e abusa de símbolos católicos, subvertendo-os e tornando-os mais assustadores do que de costume, em seus filmes. Provavelmente sua mãe não deveria ficar muito feliz com isso...

Mas o que poucos se recordam é que ele também filmou comédias e aventuras, antes de se enveredar pelo caminho do horror. Para mais informações  http://www.sensesofcinema.com/2004/great-directors/fulci/

Ao filmar City of the Living Dead, na verdade Paura nella città dei morti viventi, Fulci já era um diretor conhecido e reconhecido, embora estivesse acostumado às críticas sempre direcionadas aos mestres que desenvolvem a paixão por filmes de horror. Pavor na Cidade dos Zumbis, título que recebeu no Brasil, foi lançado em 1980 e é a segunda parte de uma trilogia de zumbis, que teve início com A Invasão dos Mortos Vivos, de 1979 e continuidade com Terror nas Trevas, de 1981.

City of the living dead é um bom filme, e embora comece de modo um pouco confuso, aos poucos a história vai se acertando.
O filme trata basicamente da corrida de um repórter e uma médium para impedir que as portas do inferno se abram e liberem todo o Mal. Ok. Mas isso começa com a médium, em NY, vendo um padre se enforcar em Dunwich, cidade portuária da Inglaterra; e, literalmente, morrendo de susto com a visão. 
Bob se ferrou...
Logo a seguir, mortes bizarras se sucedem e a médium quase enterrada, volta à vida e é resgatada pelo repórter. Nada é explicado. As coisas simplesmente acontecem. O que te segura vendo essa confusão são as cenas bem filmadas, a fotografia bacana e a superação dos níveis de porcaria que Fulci coloca na tela.

Grandes cenas são a da repórter acordando no caixão, o que foi bem aflitivo; o choro com lágrimas de sangue, com uma luz linda sobre ariz; os cérebros despedaçados com um puxão pelos zumbis; a chuva de vermes, que entram pela janela e tomam toda a sala é brilhante!
 
Esse filme consegue ser surpreendente quanto a isso, pois quando você pensa que a coisa mais nojenta que poderia acontecer é ter sua cara esfregada com um misto de terra, gosma e vermes; vem uma atriz e vomita o que descobri ser entranhas de ovelha, ainda quentes, que fora obrigada a colocar na boca para filmar a cena. Só sei que tive uns três arrepios de asco durante o filme!
Que coragem!!!

Mas, infelizmente, nos minutos finais o negócio desanda, é uma enrolação só, você já não sabe quem é quem; quem está vivo, quem voltou e quem morreu. Por que o maldito padre se matou? Por que ele teria poder de abrir os portões do inferno? Qual o problema com Dunwich, uma cidadezinha tão simpática, é só por causa do Lovecraft? Pra que contratar atores que se parecem uns com os outros? E cadê o final?

Por isso, junto com a raiva da trilha sonora genérica, com a mesma música em looping, resolvi fazer uma mixagem mais legal do final. Transformei os 20 minutos finais em 3'37" e coloquei uma música mais apropriada. Vejam se aprovam o resultado:



E, agora sim, o que eu aprendi com City of the living dead!!!

1. Se três pessoas em sequência, cada uma falar uma vez, livro de Enoch, surgem bolas de fogo na sua sala.
2. Nunca beba uma cerveja que pode te fazer ver demônios e fantasmas.
3. Na hora da rodada de bebida grátis todo mundo é amigo do dono do bar, mas quando a parede racha diabolicamente, todos dão no pé.
4. Psicólogo, nos anos 80 poderia trabalhar numa praça, porque aparentemente, não iria fazer diferença, já que todo mundo entra e sai na sala durante o tratamento.
5. Se você não morreu ao ser enterrada viva, certamente corre sérios riscos de morrer ao tentar ser salva por um idiota com uma picareta.
6. A vida deveria ser um terror antes do Google Earth te ajudar a achar as cidades almadiçoadas que ameaçam abrir os portões do inferno.
7. Quando você vê o espírito de um padre suicida você chora sangue, se tiver sorte; se tiver azar, vomita tripa de carneiro também.
8. Que a neblina pode ser muito seletiva, especialmente nos filmes de terror. Ela escolhe um personagem e o persegue por todo o filme! Não é, Bob?
9. Se você for violar um túmulo, esteja preparado para ratos voadores saltarem em você.
10. Se o governo noticia no rádio um ataque zumbi, considere-se morto.
11. Numa cidade tomada por zumbis, um bar é um ótimo local para se estar. Já que você vai morrer, que pelo menos esteja bêbado. Desce mais uma aí!

terça-feira, 8 de março de 2011

Poderia um filme trash ficar pior?

Dinosaurus! é um filme de 1960, resgatado pelo Capitão Jedi, do Supersônico a Carvão, pois só sendo Jedi para conseguir algo assim. Também desconheço como ele descobriu que aqui no Brasil recebeu o nome de Volta ao Mundo Pré Histórico.
A idéia do filme é que explosões submarinas acabariam por libertar monstros até então adormecidos no fundo do oceano (nem tão fundo assim, bem na costa, para falar a verdade). A novidade é que os "monstros" são dois dinossauros e, de quebra, um homem das cavernas (subaquáticas). Mas o mais importante aqui é que essa é uma pérola do trash. Fiquei encantada com o filme. Os atores são horríveis, exceto o homem das cavernas, que protagoniza as melhores cenas. Outro muito bom é o ditador local, que só fala no imperativo, mostrando que entrou completamente no clima da personagem. Também gostei muito das animações usadas com os dinossauros destruindo as coisas, me lembrou Jasão e os Argonautas e Fúria de Titãs. O porém é o Júlio, um moleque ultra chato com voz irritante.


Bem, dessa vez eu não farei uma lista das coisas que apren
di com o filme, mas capturei algumas imagens que darão a minha visão deturpada desse clássico do cinema B.

Em uma ilha bucólica no Atlântico os malditos imperialistas norte americanos testam suas armas de pescaria em massa.




Mas o que eles mal sabiam era que isso poderia despertar a ira do ditador local, o perverso Hacker, que embora tenha esse nome não possui nenhum computador.





Ah, eles encontram também dois dinossauros congelados de 1milhão de anos (!) no fundo da costa oceânica, mesmo que isso contrarie qualquer lógica científica. E, para melhorar eles ganham vida ao serem atingidos por raios. Frankenssauro?
Como os americanos adoram uma dicotomia, há o dinossauro bonzinho, que é herbívoro e se ferra primeiro (olha a mensagem aí!) e o dinossauro malvado, que é carnívoro e dá um trabalho danado para deixar de azucrinar os péssimos figurantes nativos e os demais que falam inglês.


Como se a ilha não fosse suficientemente
mal frequentada, vejam bem:
o velho bêbado;


uma versão latina do olodum com instrumentos não identificados;



o moleque chato que apanha de todo mundo, mas nada acontece porque naquela época não deveria existir Conselho Tutelar;


o gordinho bonachão com lencinho de Jacques Le Clair;
a mocinha loirinha chatinha que em algum momento vai desmaiar e/ou cair de algum lugar;


os caras da explosão, que não faço a menor idéia do que são, além dos caras que explodem tudo;
o ditador no modo imperativo e os dois dinossauros!



Você ainda ganha de brinde um sensacional homem das cavernas, que vem com sua própria faca Ginsu!!! Isso não é sensacional? E, nesse momento, preciso de uma reflexão... O moleque Júlio pode ser enjoadinho, mas verdade seja dita, essa deveria ser a reação de qualquer pessoa diante de um homem das cavernas:
Um lorde inglês não faria melhor.
Ah... vou ali na cozinha fazer um lanchinho e:
"Puxa vida, um homem das cavernas?! Tá afim de um sanduiche e guaraná?"
Brilhante, menino Júlio, brilhante.

Aí, caros amigos, entramos na parte inovadora do filme: um homem das cavernas CROSS DRESSER! Sim, é isso mesmo. Tudo bem que ele já venha de mini saia de pele (super fora de moda), mas refutar o terno e pegar o vestido é, no mínimo, meio suspeito.


E filme vai, filme vem, ele resgata a mocinha loirinha chatinha e ao invés de dar uns amassos nela, o que ele faz?! Eu quero sua peruca, eu quero seu colar, eu quero esse vestido que é tu-do!!!





A única coisa que não me fez questionar a sua sexualidade foi o fato dele demonstrar o seu amor como qualquer outro homem: mulher, cozinhe para mim!



Depois disso, todo o resto é resto. Mas como esse é um tesouro trash, nós podemos destacar ainda os figurantes. Estes devem ter sido escolhidos a dedo: "quem quiser trabalhar de graça e aparecer no cinema pode vir!" Os caras são péssimos. Conseguem brincar de estátua o filme todo. E, no único momento que se pede que façam algo, é claro que tem que ter uma menininha que se recusa! "Malditos figurantes que estragaram meu filme, pensou o diretor..."




E no fim, o Carvalhão salvou o dia!




Mas ainda temos o celular do passado...




O garoto apresentando as gorduras trans
ao homem das cavernas...



E agora eu já vou porque preciso me depilar!





Os nossos mais sinceros agradecimentos à população e
governo das Ilhas Virgens que nos deixaram,
explodir, destruir, matar, roubar, pegar suas mulheres
e fazer um filme ruim com total liberdade e simpatia.
Nunca nos esqueceremos de vocês, figurantes horríveis!